Hoje ao deitar eu não consegui dormir mais uma vez, meu cérebro não desliga, meu coração não pára, meus olhos não fecham. Daí também por mais uma vez eu comecei a viajar pela minha vida, passado, presente e futuro. E o que pude ver foram às mesmas coisas de sempre: fracassos, perda de tempo, de vida, de pessoas, de oportunidades, de dinheiro, desperdício, derrotas, enganos, abandono, dor, sofrimentos, desilusões, desencontros, brigas, lamentações, muitas lágrimas, muita solidão, rejeição, indiferença, pesadelos, tormento, desespero, falta de esperança, sonhos não realizados, falta de metas, falta de objetividade, falta de realizações, muito vazio, infinitas angústias, inúmeras incertezas, incompreensões, e um enorme anseio pela morte. O que há de ser cura para o homem para mim seria a morte, e o que para o homem é a morte, para mim é a cura.
A morte do homem é a religião, é o ato de morrer para si, para o mundo, e nascer de novo para as coisas que são do Alto. Em algum lugar está escrito “eis que faço novas todas as coisas”, e isso incluiriam pessoas também. Só que por experiência própria eu não acredito mais nisso, já que sou a mesma porcaria de pessoa de sempre. Então me disseram que eu não fui convertida, e sim convencida, logo não passo de uma fingida endemoniada. Bem, foi o que me disseram. Tento essa alternativa desde 1999 e não funcionou, não comigo. Portanto aqui e agora, abro mão de todas as promessas que a igreja faz juntamente com o resto de esperança que eu tinha na mesma. Não sei se Deus é culpado, eu sei que Ele poderia muito bem ter me deixado morrer no dia em que nasci. Minha vida seria bem melhor se eu não existisse, e a de outras pessoas também. Ser um peso morto, porém vivo não é nada agradável, acreditem. Hoje aos 36 anos eu tenho total e plena certeza de que Deus se arrependeu em ter me deixado viver. Só que como Ele é Deus e não é homem para mentir nem filho do homem para que se arrependa, ele me deixa por aqui mesmo. Desde meus 9 anos faço parte de um joguinho sádico de empurra, Deus não me quer, mas também não permite que o diabo me leve. O sadismo é a parte em que sofro por não pertencer a lugar algum, nem céu, nem inferno. Na verdade eu sou apenas um corpo de certo esquecido aqui desde 1975, uma espécie de zumbi que ainda não fede, mas que por dentro apodrece. O sadismo também se faz presente na questão do livre arbítrio, pois sendo Deus todo poderoso, ele poderia muito bem interferir na minha vida. Só que ele não vai contra ele mesmo, assim vai contra mim que é mais fácil. Poxa, eu até aceitaria uma amnésia parcial, embora preferisse a total mesmo. Nem isso, nem nada. O prazer de ambos está no meu continuo sofrimento, esse é o divertimento principal deles. Porra! Eu não entendo isso, por quê? Pra que? Se eu ainda fosse alguma “bambambam” tudo bem, mas eu não sou nada, não passo de uma fudida sem ter a onde cair morta além do chão mesmo. Então sou eu quem tenho que tomar uma atitude, sobrou pra mim escolher entre a terra e o inferno. O céu não é uma escolha ou uma opção, mesmo que eu não me mate, eu nunca herdarei o reino dos céus.
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