
Desde o dia 30/03/2010 fui imersa em um mundo mais vazio do que o meu antigo, foi quando voltei a trabalhar. Durante esse novo período eu me anulei ainda mais, fiquei mais vazia, mais distante de mim e daquilo que realmente importa para mim: a casa de meu Pai e minha filha. Eu mal me reconheço quando olho-me no espelho vez ou outra, isso o que vejo não sou eu, ou na verdade seja o que tenho sido, mas que bem lá no fundo não sou. Eu nunca soube que sou eu de verdade, nem o que posso representar para qualquer pessoa que seja, até mesmo para o meu Deus e para meus pais e minha filha. Eu não sou ninguém, nunca fui e nunca serei. Eu não passo de um erro médico numa burra tentativa de salvamento involuntário, eu precisa ter morrido. Teria sido muito melhor para todos, principalmente para mim. Eu sei que nunca fui normal por todas as coisas que me aconteceram desde meu nascimento, mas aos 9 anos de idade minha vida literalmente sofreu uma mudança drástica. Eu fui posta num inferno chamado solidão, passei a desejar somente coisas as quais eu nunca poderia ter, procurava ser aquilo o que eu nunca seria, eu o anseio pela morte a cada dia se tornava mais forte. Sempre fui sozinha de tudo, mesmo em meio a falsos amigos e uma família nada carinhosa eu me sentia assim, sozinha. Hoje sei que me sinto assim porque na verdade eu sou assim, e nada nem ninguém poderá mudar isso em mim. Nem mesmo quando eu estava frequentando a Hebrom eu me sentia normal, essa aproximação de Deus fez com que meus questionamentos apenas aumentassem mais. O que piorou tudo já que nunca tive respostas para muitas de minhas perguntas, nem mesmo a mais simples de todas: qual é o propósito da minha vida? Hoje estou com 36 anos e nada mudou em minha vida, nada mesmo... Continuo a mesma sem nada de sempre, sem amigos, sem um namorado, sem rumo, sem um diploma, sem sonhos, sem objetivos, sem perspectivas, sem um diploma, sem nenhuma estabilidade profissional, sem vontade de nada... Apenas morrer essa é a minha vontade real... Mas eu sei que Deus não será tão misericordioso assim, só não entendo Seus motivos. Embora que "viver" do jeito que tenho vivido é o mesmo que nunca ter vivido, eu simplesmente finjo que estou viva e espero pelo fim. E posso apostar que ele irá demorar a chegar, porque no meu caso todo e qualquer sofrimento é pouco. Assim como aposto que no meu último instante de vida, eu terei a tão esperada resposta, aí então compreenderei tudo e morrerei em paz. Já que agora vivo numa tormenta infinita, em um pesadêlo que nunca teve fim, não sendo capaz de compreender o significado de qualquer coisa relacionada a mim. As vezes eu me apego a uma possibilidade bem pequena de que ainda sofrerei um acidente e perderei completamente minha memória, me esquecendo difinitivamente de quem eu sou. Antes meu maior desejo era o de poder voltar no tempo e fazer tudo diferente, mas agora nem isso eu desejo mais, de que adiantaria? Eu teria nascido a mesma vazia que fui, a mesma prisioneira, a mesma infeliz que sou, e a mais sozinha de todas. Por que foi preciso ser assim?